Sábado, Março 7, 2026
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“Farei quantas vezes for necessário”: prefeito veta presença de Milly Lacombe em evento cultural de São José dos Campos

O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), voltou a provocar polêmica ao anunciar, por meio de suas redes sociais, o veto à participação da jornalista e ativista Milly Lacombe na FLIM (Festa Litero Musical), marcada para o próximo fim de semana no Parque Vicentina Aranha. Segundo ele, a decisão segue o mesmo critério adotado em 2022, quando suspendeu o cachê da cantora Maria Gadú, após a artista demonstrar apoio público ao então candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um show pago com recursos municipais.

Na postagem, Anderson foi enfático: “Quero ser claro: a apresentação da ativista Milly Lacombe em São José foi cancelada. Cultura deve unir, não dividir. Já fiz isso no passado, quando cancelei o cachê da Maria Gadú por ter pedido voto para um candidato à presidência da República em um evento pago com verba pública. E farei isso quantas vezes forem necessárias. A cultura em São José não é e nunca será palco político-ideológico”.

O estopim para o cancelamento foi um trecho de entrevista em podcast no qual Milly declarou: “Essa família tradicional, branca, conservadora, brasileira é um horror. É a base do fascismo, falemos a verdade, né?”. Para o prefeito, esse tipo de fala não deve ser reproduzido em espaços financiados pelo município. “Respeito a opinião dela, mas considero uma fala irresponsável e inconsequente”, afirmou.

A AFAC (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), organização social responsável pela gestão do Parque Vicentina Aranha, confirmou em nota o cancelamento, ressaltando que a medida foi tomada “em comum acordo com a convidada”, com o objetivo de preservar a integridade de todos os envolvidos. A entidade também frisou que não compactua com manifestações alheias à atividade-fim do evento, que é a promoção da cultura, música e literatura.

A decisão dividiu opiniões. Nas redes sociais, moradores apoiaram a postura do prefeito. “Parabéns por proibir a vinda dessa mulher aqui para palestrar contra os valores cristãos da família”, escreveu Vilani Bessa. “O prefeito está corretíssimo”, comentou Denise Marcelino de Paula.

Por outro lado, críticos classificaram a ação como censura. “Inacreditável. Que gente antidemocrática”, publicou Tathiana Gomes. Já Gisele Truzzi foi mais dura: “Liberdade de expressão, pra eles, só existe quando as pessoas falam o que eles querem ouvir”.

O episódio reabre o debate sobre os limites da liberdade de expressão em eventos culturais financiados com dinheiro público, colocando mais uma vez São José dos Campos no centro de uma controvérsia nacional sobre arte, política e ideologia.

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