Sábado, Março 7, 2026
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Delegado morto em Santos participou da operação de Itamonte em 2013 que deixou nove criminosos mortos

O brutal assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, executado a tiros de fuzil em Praia Grande neste domingo, reacendeu memórias de uma das operações mais emblemáticas de sua trajetória profissional: a ação de Itamonte, no Sul de Minas Gerais, em 2013, quando uma megaoperação policial terminou com nove criminosos mortos em um confronto digno de cinema.

Naquela madrugada de fevereiro, uma quadrilha especializada em explosões de caixas eletrônicos, com mais de 15 integrantes, deixou o Estado de São Paulo em cinco veículos — um Honda Civic, um EcoSport, uma Duster, um Palio e um Vectra. O bando chegou a Itamonte por volta das 2h30 da manhã, invadiu a praça Padre Francisco Mira, no centro da cidade, e abriu fogo. Os criminosos usavam máscaras de palhaço, capuzes, coletes à prova de balas, fuzis, pistolas e bananas de dinamite. O plano era explodir caixas eletrônicos em várias cidades do Sul de Minas, como Passa Quatro e Caxambu.

O que os assaltantes não esperavam era o cerco montado pela Polícia Civil de São Paulo, em parceria com a Polícia Civil e Militar de Minas Gerais e com reforço da Polícia Rodoviária Federal mineira. O tiroteio foi imediato e ensurdecedor, sacudindo a pequena cidade de apenas 14 mil habitantes. Quatro bandidos foram mortos dentro de um Honda Civic crivado de balas, enquanto outros cinco tombaram em perseguições na BR-354, entre os quilômetros 754 e 758.

Além dos mortos, cinco integrantes da quadrilha foram presos, três deles feridos durante a troca de tiros. Um policial civil foi baleado no braço, mas sobreviveu. A ofensiva mobilizou mais de 160 agentes — 80 paulistas e 80 mineiros, sendo 40 militares e 40 federais. Policiais da região de Cruzeiro (SP) também participaram da operação, reforçando o cerco contra o crime organizado. Um caixa eletrônico do Bradesco, a poucos metros da praça, chegou a ser estourado, mas a gaveta de dinheiro levada pelos criminosos foi recuperada.

O episódio transformou a pacata Itamonte em um verdadeiro campo de batalha, marcado por explosões, disparos de fuzil e cenas que moradores jamais esqueceram. Um servidor municipal chegou a socorrer um dos bandidos feridos, que permaneceu calado mesmo diante da presença dos policiais.

À frente das investigações estava o delegado Ruy Ferraz Fontes, que saiu da operação ainda mais respeitado. Reconhecido como um homem de fibra, disciplinado e destemido, ganhou notoriedade nacional pela firmeza com que enfrentava quadrilhas especializadas. Sua imagem de delegado implacável contra o crime foi consolidada em Itamonte e continuou a se fortalecer ao longo da carreira.

Anos depois, em 2019, o Ministério Público revelou que a cúpula do PCC havia decretado sua morte — uma ameaça que se concretizou agora, em 2025, de forma brutal. A execução de Fontes é vista como o trágico desfecho de uma carreira marcada pela coragem e pelo enfrentamento direto contra o crime organizado.

Para colegas e para a sociedade, Ruy Ferraz Fontes será sempre lembrado como o delegado que não recuava diante do perigo, mesmo jurado de morte, e que inscreveu seu nome na história da Polícia Civil de São Paulo como um dos maiores símbolos da luta contra o crime.

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