Saidinha no Vale: Lindemberg está entre os 3,2 mil beneficiados, enquanto Robinho e Brennand seguem atrás das grades
A partir desta terça-feira (16), mais de 3,2 mil presos do Vale do Paraíba deixam as unidades prisionais na penúltima saída temporária de 2025. No total, 3.225 detentos em regime semiaberto foram autorizados a usufruir do benefício, que vai até a próxima segunda-feira (22), quando deverão retornar.
Entre os nomes está o de Lindemberg Alves, condenado a 39 anos pela morte da ex-namorada Eloá Cristina, em 2008. O crime ficou marcado como um dos mais longos e chocantes cárceres privados do país: Lindemberg invadiu o apartamento da jovem em Santo André, fez quatro pessoas reféns durante mais de 100 horas e terminou a ação atirando contra Eloá, que morreu baleada. Ele cumpre pena na Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé, onde 123 presos foram beneficiados nesta leva.
O maior número de autorizados está no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) Dr. Edgard Magalhães Noronha, o Pemano, em Tremembé, com 2.323 detentos. Já o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Taubaté é o único da região sem presos aptos ao benefício.
Apesar da liberação em massa, alguns nomes de destaque permanecem atrás das grades:
- Robinho, ex-jogador de futebol, cumpre pena em regime fechado após condenação definitiva na Itália pelo crime de estupro coletivo contra uma jovem albanesa de 23 anos, ocorrido em 2013, em uma boate de Milão.
- Fernando Sastre, empresário e motorista de um Porsche que colidiu com outro veículo em São Paulo, causando a morte de um motorista de aplicativo, continua preso e sem direito à saidinha.
- Thiago Brennand, empresário condenado em três processos por violência contra mulheres, incluindo agressões físicas e abusos, também permanece encarcerado.
Distribuição por unidades prisionais na região:
- P1 Masculina Tremembé: 246
- P2 Masculina Tremembé: 123
- P1 Feminina Tremembé: 86
- P2 Feminina Tremembé: 105
- Pemano Tremembé: 2.323
- CDP São José dos Campos: 1
- CDP Caraguatatuba: 114
- P1 Potim: 27
- P2 Potim: 186
A saída temporária é prevista como forma de ressocialização, permitindo que os presos mantenham vínculos familiares e sociais fora do sistema prisional. Em São Paulo, são quatro saidinhas ao ano — março, junho, setembro e dezembro. Sempre começam na terça-feira da terceira semana do mês e terminam às 18h da segunda-feira seguinte, com exceção de dezembro, que contempla Natal e Ano Novo.
Para ter direito, o preso deve cumprir pelo menos 1/6 da pena se for réu primário ou 1/4 se reincidente, além de manter bom comportamento. Quem comete faltas leves ou médias dentro da prisão precisa passar por um processo de reabilitação de até 60 dias antes de voltar a receber o benefício.


