Prisão de mãe e padrasto de Pedrinho, de 2 anos, expõe detalhes de crime no Vale
A Polícia Civil prendeu temporariamente, nesta quarta-feira (3), o padrasto e a mãe do pequeno Pedro Henrique Ferreira Danin, de apenas 2 anos, conhecido como Pedrinho, morto em julho deste ano. O laudo definitivo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a criança foi vítima de asfixia, resultado que levou à expedição dos mandados de prisão.
O padrasto, Jeferson Ivan Lopes dos Santos, de 21 anos, foi detido em Águas de Lindóia e é apontado como autor direto do homicídio. A mãe, Giovanna Cerazo Danin, também de 21 anos, foi presa no Guarujá, no litoral paulista. Ela responderá por homicídio com dolo eventual, uma vez que, segundo a investigação, assumiu o risco ao deixar o filho sob os cuidados do companheiro, mesmo ciente das agressões anteriores.
Embora tenham sido localizados em cidades diferentes, os dois não eram considerados foragidos, já que os mandados haviam sido expedidos na tarde de terça-feira (2). No momento da prisão, Jeferson negou a conclusão do laudo, enquanto Giovanna chorava e se manteve em silêncio diante da polícia.
No dia da morte, Pedrinho foi levado à Santa Casa de Santa Isabel pelo padrasto, que apresentou versões contraditórias: primeiro disse que o menino havia caído da escada e, depois, alegou um tombo no banheiro. As inconsistências chamaram a atenção das autoridades.
“Esse caso se tornou extremamente complexo. Foram ouvidas mais de vinte testemunhas no inquérito. O primeiro laudo não trouxe resultado definitivo porque não havia lesões externas aparentes. Mas novos exames revelaram asfixia, possivelmente causada pelas mãos do padrasto”, explicou a delegada Regina Campanelli, responsável pela investigação.
Depoimentos reforçaram as acusações. Vizinhos e conhecidos relataram que Pedrinho aparecia com hematomas e olhos inchados em diferentes ocasiões, sempre justificados pela mãe como quedas no banheiro. Em uma dessas situações, entre abril e maio, o casal se recusou a levar o menino ao médico, mesmo após insistência dos vizinhos.
A conduta da mãe também é alvo da polícia. “Ela deixava o filho sob os cuidados do autor, já sabendo das agressões. Um dia após a morte de Pedro, Giovana foi vista em uma balada, dançando, como se nada tivesse acontecido”, relatou a delegada.
Durante buscas na casa da família, dois colchões foram apreendidos. O maior apresentava manchas de sangue visíveis, enquanto o de Pedrinho aparentava estar limpo, mas reagiu fortemente à aplicação de luminol. “Quando o luminol foi aplicado, o sangue apareceu em grande quantidade. O material biológico já foi encaminhado para análise pericial a fim de confirmar se pertence ao menino”, acrescentou Campanelli.
A prisão temporária do casal é válida por 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período. Segundo a polícia, a investigação agora avança para o pedido de prisão preventiva, que poderá mantê-los presos até o julgamento.


