Mutilação de cavalo em Bananal reacende debate sobre crueldade em cavalgadas
O caso de um cavalo brutalmente mutilado durante uma cavalgada em Bananal, no interior de São Paulo, chocou o país e reacendeu a discussão sobre maus-tratos em eventos que envolvem cavalos. O episódio, registrado no último dia 16, ganhou repercussão nacional e colocou em evidência a necessidade de regulamentação mais rigorosa para esse tipo de prática.
Segundo as investigações, o animal percorreu cerca de 15 quilômetros até cair exausto, sem conseguir se levantar. Testemunhas afirmam que ele morreu pouco depois, mas o tutor, Andrey Guilherme Nogueira de Queiroz, de 21 anos, foi flagrado usando um facão para amputar as patas do cavalo. Em depoimento, o jovem alegou que acreditava que o animal já estava morto e disse estar embriagado no momento. “Foi um ato cruel, eu reconheço meus erros, mas não sou um monstro”, declarou.
O caso foi registrado como maus-tratos com agravante de morte. A Polícia Civil, no entanto, apura se a mutilação pode ter ocorrido enquanto o animal ainda estava vivo. A cena gerou indignação e revolta em todo o país. Nas redes sociais, celebridades como Ana Castela, Luísa Mell e Paolla Oliveira se manifestaram exigindo justiça e endurecimento das leis contra maus-tratos.
Mas a tragédia em Bananal não é um episódio isolado. Dias antes, em Aracaju (SE), dois homens foram indiciados pela morte de um cavalo durante uma cavalgada. O animal teria sofrido abusos e não resistiu ao esforço. Em setembro do ano passado, em Manaus (AM), outro cavalo caiu morto durante uma cavalgada popular, após horas de percurso sem descanso e sob forte calor, em cena que também causou revolta entre ativistas. Já em Minas Gerais, em 2023, um vídeo viralizou mostrando um cavalo sendo agredido com chutes e pauladas depois de cair exausto em plena cavalgada. Em Goiás, no mesmo ano, outro caso ganhou repercussão nacional: um cavalo desmaiou em meio a uma festa de peão e, mesmo desacordado, era puxado à força pelos participantes.
Esses episódios, repetidos em diferentes estados, reforçam a gravidade da situação e expõem a ausência de fiscalização adequada. Especialistas defendem a criação de regras claras para proteger os animais, como a presença obrigatória de veterinários, limites de percurso e de tempo de prova, cuidados específicos em dias de calor intenso e proibição da participação de cavalos debilitados. Ativistas lembram que, embora a legislação brasileira preveja pena de três meses a um ano de detenção para crimes de maus-tratos, as punições são brandas diante da crueldade dos fatos.
O cavalo de Bananal se tornou símbolo de um debate urgente: até que ponto a tradição pode justificar práticas que resultam em dor e morte? Entre a defesa cultural e a indignação social, cresce a pressão por mudanças que conciliem festa e tradição, mas que coloquem, acima de tudo, o respeito à vida dos animais.


