Sexta-feira, Março 6, 2026
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Amor eterno em São José dos Campos: a emocionante história de Oscarina e sua fiel companheira Vitória

Algumas histórias atravessam gerações e permanecem vivas na memória de uma cidade. Em São José dos Campos, um episódio comovente é lembrado há mais de um século: a amizade inquebrável entre a jovem Oscarina Guimarães e sua cadela Vitória, que se tornou símbolo de lealdade e amor incondicional eternizado no Cemitério Municipal Padre Rodolfo Komorek.

Oscarina, aos 18 anos, adotou uma cadela que vivia nas ruas. Caramelo, como são carinhosamente chamados no Brasil os cães sem raça definida, ela recebeu um lar e um nome cheio de significado: Vitória. A escolha remetia tanto à cidade capixaba de onde vinham quanto ao desejo profundo da jovem em superar a doença que enfrentava. A partir dali, nasceu uma amizade inseparável.

No início do século XX, Oscarina mudou-se com o pai para São José dos Campos, cidade que era referência no tratamento da tuberculose. Apesar da luta, a jovem faleceu aos 21 anos. No momento de maior fragilidade, Vitória demonstrou sua devoção: ao perceber que a tutora passava mal, correu até a padaria onde o pai da jovem estava e puxou sua calça, como quem implorasse socorro. Pouco depois, Oscarina partiu.

Sem a presença da amiga, Vitória passou a viver no cemitério da cidade. Todos os dias, permanecia deitada sobre a lápide de Oscarina, recusando comida e água. Definhou de saudade até morrer no mesmo local, um ano depois. Foi enterrada diante do túmulo da tutora, como se quisesse continuar guardando sua memória.

Comovida, a família mandou erguer sobre a lápide uma estátua em homenagem à cadela caramelo, retratada na posição em que costumava ficar junto à tutora. A escultura permanece até hoje no Cemitério Padre Rodolfo Komorek, transformando-se em um marco de afeto e lealdade em São José dos Campos.

A história foi resgatada pelo advogado e escritor Estêvão Zizzi no livro Oscarina e Vitória: Alma e Coração, após três anos de pesquisa em jornais antigos, arquivos e diários. Segundo ele, Oscarina via em Vitória um símbolo de esperança e acreditava que juntas venceriam a doença.

Para Zizzi, a cadela caramelo de São José dos Campos merece tanto reconhecimento quanto o célebre cão Hachiko, do Japão:
“Vitória é um exemplo eterno de amor incondicional. Em São José dos Campos, essa história se transformou em memória e em estátua, lembrando-nos que os animais muitas vezes são os maiores companheiros de nossas vidas.”

Mais de 110 anos depois, Oscarina e Vitória seguem unidas não apenas no descanso eterno, mas também no coração de todos que conhecem essa história, um verdadeiro patrimônio sentimental da cidade.

Oscarina Guimarães faleceu de tuberculose aos 21 anos, no início do século XX, em São José dos Campos. Sua cadela caramelo Vitória permaneceu junto ao túmulo da tutora até morrer de saudade e ganhou uma estátua em homenagem à lealdade eterna — Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

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