Sexta-feira, Março 6, 2026
Cidades

“Tentou arrancar meu rosto”: mulher sobrevive a seis dias de sequestro e tortura no Vale do Paraíba

Durante seis dias de puro terror, Karen, esteticista de 30 anos, foi mantida em cárcere privado pelo ex-namorado Gabriel, de 26 anos. Com apenas três semanas de relacionamento, a jovem decidiu romper ao perceber o comportamento agressivo do companheiro — decisão que desencadeou uma sequência de abusos, espancamentos e ameaças que quase lhe custaram a vida. “Ele tentou arrancar meu rosto com mordidas”, contou, ainda em estado de choque.

O agressor usou o próprio carro da vítima para sequestrá-la e a manteve sob vigilância enquanto rodavam por pelo menos seis cidades do Vale do Paraíba, hospedando-se em motéis onde não era exigida identificação. Nesse período, Karen foi amarrada, espancada, mordida no nariz, ameaçada de morte com arma de fogo e forçada a gravar vídeos com declarações falsas. “Me obrigou a dizer que eu era uma péssima mãe. Eu estava com o rosto inchado, ensanguentado, irreconhecível.”

Na tentativa de justificar seu desaparecimento, Gabriel obrigou Karen a enviar mensagens aos amigos e familiares dizendo que estava fugindo de agiotas. Ela chegou a tentar escapar. “Corri, entrei numa padaria cheia de homens. Gritei, implorei por socorro, mas ninguém me ajudou. Disseram que não queriam se envolver.”

A perseguição terminou quando o agressor dirigiu na contramão da Via Dutra e colidiu com uma viatura da Polícia Militar. “Ele dizia que preferia morrer do que ser preso. Acelerava com a arma apontada pra mim, com caminhões passando dos dois lados. Eu achei que fosse morrer ali mesmo.”

Após a colisão, Gabriel tentou fugir a pé, mas foi capturado. Karen foi encontrada no banco do passageiro, em choque. Em sua casa, enquanto estava em cativeiro, o local foi invadido e revirado. “Ele armou tudo pra parecer que era uma invasão por dívida. Mexeram até no quarto da minha filha.”

Karen decidiu tornar público o relato como forma de alerta. “Eu sobrevivi. E agora quero ajudar outras mulheres a perceberem os sinais. Nenhuma mulher merece passar por isso.”

O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Gabriel deve responder por sequestro, cárcere privado, estupro, lesão corporal, ameaça, invasão de domicílio e outros crimes.

Foto: O Vale

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