“Ele vai me matar. Vai matar minhas filhas”: mulher relata cinco dias de terror após sequestro em Caçapava
Cinco dias. Esse foi o tempo em que Karen*, de 30 anos, viveu um verdadeiro pesadelo. Esteticista e mãe de três meninas, ela foi sequestrada, agredida, violentada e mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, de 26 anos, após o fim de um relacionamento que durou pouco mais de um mês. O caso teve início em Caçapava e terminou em Taubaté, onde a vítima foi resgatada após uma perseguição policial.
“Ele vai me matar. Vai matar minhas filhas.” O grito desesperado saiu em uma das raras chances em que Karen conseguiu abrir a porta do carro e correr. Ela avistou um grupo de pessoas e correu em direção a eles, mas ninguém interveio. “Tinha cerca de dez homens na rua. Gritei por ajuda, mas disseram que não podiam fazer nada.”
Karen contou que, desde o fim do relacionamento, o agressor não aceitava a separação. “Ele não queria sair da minha casa. Comecei a perceber sinais de agressividade logo depois que terminamos.” Na sexta-feira, ao tentar encerrar de vez o vínculo, ela aceitou levá-lo de carro até a residência dele. No caminho, o homem assumiu o volante e deu início à série de crimes.
A partir daí, o que se seguiu foram dias de puro terror. “Ele me batia, me asfixiava até eu desmaiar e dizia que, se eu tentasse fugir, faria mal às minhas filhas.” Segundo o relato da vítima, o sequestrador a levou por diversas cidades da região, mantendo-a refém dentro do veículo e submetendo-a a abusos físicos, psicológicos e sexuais.
O fim do tormento veio apenas na quarta-feira (30), quando a Polícia Militar localizou o carro em movimento no bairro Alto São Pedro, em Taubaté. Após uma perseguição de cerca de 15 minutos — com trechos na contramão da Rodovia Presidente Dutra — o veículo foi interceptado no centro da cidade. O agressor ainda tentou fugir a pé, mas foi capturado.
Dentro do carro, Karen foi encontrada desorientada, machucada e visivelmente em estado de choque. O automóvel estava com dois pneus destruídos e outros danos causados durante a tentativa de fuga.
O homem foi levado para audiência de custódia na quinta-feira (31) e deve responder por sequestro, cárcere privado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, estupro e violência doméstica. A polícia segue com as investigações.
“Sobrevivi aos piores dias da minha vida”, resumiu Karen, ainda abalada. Ela agora tenta encontrar forças para reconstruir a rotina com suas filhas, longe do medo.
*Nome fictício para preservar a identidade da vítima.

TV Record

