Sexta-feira, Março 6, 2026
Cidades

“Punhal Verde-Amarelo: General do Vale admite plano para matar Lula, Alckmin e Moraes”

O general da reserva Mário Fernandes, que comandou a 12ª Brigada de Infantaria Leve Aeromóvel em Caçapava, no Vale do Paraíba, admitiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ser o autor do plano batizado de Punhal Verde-Amarelo, cujo conteúdo, segundo a Polícia Federal, previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Réu no processo da tentativa de golpe de Estado, o militar afirmou, em depoimento realizado na última quinta-feira (24), que o plano era “apenas um pensamento meu”. No entanto, ele reconheceu que elaborou o documento em formato Word com o título “Punhal Verde e Amarelo”, que descrevia ações voltadas ao sequestro e homicídio de autoridades eleitas. O general também confirmou ter ordenado a impressão do arquivo dentro do Palácio do Planalto.

Durante o governo Jair Bolsonaro, Fernandes ocupou o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele declarou que o conteúdo do plano seria apresentado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), então chefiado pelo general Augusto Heleno, também réu no caso.

“A determinação foi minha ao meu chefe de gabinete, Reginaldo Vieira de Abreu, que emitisse seis cópias. O objetivo era apresentar ao GSI, responsável doutrinariamente pela montagem do gabinete de crise. Não se tratava da crise que a PGR imagina. Poderia ser qualquer outra. Era um assessoramento ao general Heleno, um grande amigo, mentor. Não tinha relação com o presidente Bolsonaro”, disse o general, que está preso desde novembro de 2023. O depoimento foi dado por videoconferência.

Apesar da tentativa de minimizar a gravidade do plano, a Polícia Federal afirma que o general imprimiu o documento no dia 9 de novembro de 2022 e, cerca de 40 minutos depois, esteve no Palácio da Alvorada, residência oficial do então presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo da proposta incluía o uso de metralhadoras, explosivos e envenenamento das vítimas, com o objetivo de impedir a posse da chapa Lula-Alckmin, eleita democraticamente naquele ano.

Fernandes integra o chamado Núcleo 2 da tentativa de golpe, formado por seis réus acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de organizar ações estratégicas em favor da ruptura institucional. Entre os nomes desse grupo estão Filipe Martins, ex-assessor internacional de Bolsonaro, e Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal. A denúncia também inclui o uso irregular da PRF para interferência no segundo turno das eleições.

No Vale do Paraíba, o general Mário Fernandes comandou a 12ª Brigada de Infantaria Leve Aeromóvel em Caçapava, uma das unidades mais prestigiadas do Exército Brasileiro no Sudeste. Ele permaneceu no cargo por cerca de dois anos, sendo homenageado com o título de cidadão caçapavense pela Câmara Municipal em julho de 2018.

Agora, o mesmo militar que foi condecorado na região passa a ser um dos principais protagonistas de uma trama que, sob o nome simbólico de Punhal Verde-Amarelo, escancarou intenções golpistas de setores ligados ao alto escalão militar e ao entorno do ex-presidente da República.

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