Polícia investiga possível falha de segurança em acidente fatal com asa-delta em Caraguatatuba
A Polícia Civil está investigando se uma falha em um procedimento básico de segurança causou o acidente que resultou na morte do piloto de asa-delta Marcelo Arbos Diniz, de 54 anos, na tarde de domingo, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo.
O acidente ocorreu no Morro Santo Antônio, ponto tradicional para a prática de voo livre na região. Marcelo caiu de uma altura aproximada de 40 metros após decolar da rampa leste do morro. Segundo informações do boletim de ocorrência, testemunhas relataram que ele não se prendeu corretamente à estrutura da asa-delta antes da decolagem. O erro teria impedido o controle do equipamento durante o voo.
“Ele deixou de acoplar um dos dispositivos de segurança que prende o corpo à estrutura da asa. Assim, ao iniciar o voo, permaneceu apenas segurando com os braços na base do equipamento”, destaca o registro da ocorrência. Com a sustentação precária, o piloto não conseguiu manter o controle e acabou despencando em uma área de mata fechada.
Guilherme Leite da Silva, psicólogo e diretor técnico de asa-delta, estava no local no momento do acidente e conhecia Marcelo. Em entrevista à Rede Vanguarda, ele explicou que o piloto usava a roupa adequada para o voo, mas esqueceu de conectá-la à asa por meio do gancho obrigatório. “Por um descuido, ele não se prendeu ao equipamento. Se estivesse preso, não precisaria segurar com os braços. Ele ficou pendurado apenas pela força física”, disse Guilherme.
Segundo o especialista, o equipamento é projetado para que, após a decolagem, o piloto não precise mais usar as mãos. “Quem vê de fora acha que voamos segurando o equipamento, mas não é assim. Uma vez preso corretamente, você pode até soltar as mãos. É um sistema seguro. O problema foi a falha no procedimento”, reforçou.
Apesar da tragédia, as condições climáticas eram consideradas ideais para a prática esportiva no momento do salto. Outros praticantes realizaram voos sem qualquer intercorrência antes do acidente com Marcelo. “Ele era um piloto experiente, com mais de 30 anos de prática. Infelizmente, esqueceu um procedimento básico”, lamentou Guilherme.
O Corpo de Bombeiros informou que Marcelo caiu cerca de 250 metros abaixo do ponto de decolagem, em uma área de mata densa e de difícil acesso. “Foi necessário utilizar uma trilha por terreno irregular. Ao localizarmos a vítima, ela já estava em parada cardiorrespiratória e apresentava múltiplas fraturas”, relatou o tenente Rafael Vitor.
As equipes iniciaram os procedimentos de reanimação, mas a morte foi confirmada no próprio local pelo médico socorrista.
O caso foi registrado na delegacia de Caraguatatuba e seguirá sob investigação. A principal linha de apuração é a de falha humana no cumprimento dos protocolos de segurança do voo livre.


