“Foi covardia, maldade”, lamenta mãe de motoboy espancado por grupo durante festa de rodeio em Piquete
O que era para ser um momento de lazer terminou em tragédia. Guilherme Araujo Cabral Alvarelo, de apenas 21 anos, sofreu traumatismo craniano após ser brutalmente espancado por um grupo de cerca de dez pessoas durante uma festa de rodeio em Piquete, no interior de São Paulo. A agressão ocorreu na madrugada de domingo (6), e o jovem, que trabalhava como motoboy em Lorena, teve a morte cerebral confirmada pelo hospital, que abriu o protocolo para avaliação.
“Foi covardia, maldade”, desabafou Suelen Cabral, mãe do jovem, visivelmente abalada. Segundo ela, Guilherme estava em seu único dia de folga e foi ao rodeio se divertir. A agressão ocorreu em uma área isolada do evento, próximo aos banheiros químicos, onde não há câmeras de segurança. “O moço da ambulância disse que pegou ele largado no chão, desmaiado, espancado por muitas pessoas. Levaram ele para o hospital de Piquete, mas não tinha recurso lá. Mandaram para Lorena, entubaram ele com urgência. Foi traumatismo craniano e ele entrou em coma”, relatou Suelen, entre lágrimas.
Ela também denuncia a completa ausência de segurança no local do crime. “Foi uma covardia o que fizeram com ele. Um menino trabalhador, amigo de todo mundo, nunca teve confusão. Ele saía todo dia às sete da noite e trabalhava até uma da manhã fazendo delivery. No único dia de descanso dele, aconteceu isso. E numa festa daquele tamanho, ninguém apareceu pra ajudar, nem segurança, nem polícia. Isso é um absurdo.”
O caso gerou revolta nas redes sociais. Moradores e frequentadores do evento questionaram a organização e denunciaram a falta de estrutura e segurança. Comentários como “Todo ano essa festa faz uma família chorar pelo resto da vida”, “Covardia, um monte contra um”, “Vergonha, uma festa grande e ninguém viu nada” e “Só tinha uma viatura” se multiplicaram, expondo a indignação popular.
A Prefeitura de Piquete declarou que o evento contava com segurança e presença policial, o que foi amplamente contestado por moradores. “Dizem que tinha segurança e polícia, mas se isso fosse verdade, por que deixaram baterem nele daquele jeito?”, questionou uma moradora em rede social.
A repercussão também reacendeu críticas de movimentos contrários às festas de rodeio com uso de animais. Uma frase em especial tem ganhado destaque: “Numa festa onde se maltrata os animais, o que podemos esperar?” – numa alusão ao ambiente de violência e impunidade que, segundo os críticos, acompanha esse tipo de evento.
A Polícia Civil investiga o caso, mas até o momento nenhum suspeito foi identificado ou preso. O local da agressão, sem câmeras, dificulta a apuração. Familiares e amigos clamam por justiça enquanto acompanham, entre a dor e a indignação, a possível confirmação da morte cerebral do jovem.
A cidade de Piquete amanheceu mais triste, marcada por mais um episódio de violência em um evento que, segundo muitos moradores, tem se tornado palco de tragédias ano após ano.


