Família cobra justiça por Rodrigo Campanaro, morto em atropelamento brutal na Via Dutra
O que era para ser apenas mais uma viagem de trabalho terminou em tragédia. Rodrigo Campanaro, de 50 anos, foi atropelado com violência na Via Dutra, em São José dos Campos, e a dor da perda ainda ecoa entre os familiares que, agora, clamam por justiça.
Rodrigo era mais que um trabalhador dedicado — era um marido amoroso, pai presente e amigo leal. Casado há mais de três décadas, vivia feliz ao lado da esposa, com quem dividia a vida em Santo André. Ele contava os dias para rever uma das filhas, que viria dos Estados Unidos após quatro anos, e se emocionava ao falar do casamento religioso da outra, marcado para o próximo ano.
Nada disso contará mais com sua presença.
O atropelamento aconteceu por volta das 22h20 do dia 11 de junho, no km 151 da rodovia Presidente Dutra, sentido São Paulo. Rodrigo voltava do Rio de Janeiro quando, após um pequeno acidente, foi atingido por um carro. O impacto foi tão devastador que seu corpo foi arremessado a cerca de 120 metros — um de seus pés foi encontrado no viaduto. O motorista fugiu sem prestar socorro.
“Ele foi deixado lá como se fosse nada. A pessoa que atropelou simplesmente foi embora. Isso é o que mais machuca”, desabafa um parente.
Rodrigo havia se envolvido minutos antes em uma leve colisão com uma caminhonete Ford F-250. Segundo o motorista da caminhonete, eles haviam combinado de se encontrar no posto da PRF mais à frente para registrar a ocorrência. Rodrigo ficou no local com seu veículo, um Nissan Kicks modelo 2025. Nunca chegou ao posto.
O abandono do local e a omissão de socorro são, segundo a Polícia Civil, agravantes no inquérito, que foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e fuga do local do acidente. A investigação segue em andamento e a família acompanha cada passo com expectativa.
A PRF atendeu inicialmente a ocorrência. Um Kia Sportage com avarias frontais e vestígios de sangue foi encontrado próximo ao local, mas sem ninguém dentro. Outro carro, um Citroën Aircross, também foi flagrado pelas câmeras trafegando em baixa velocidade durante a perícia, o que levantou suspeitas. A polícia cruzou as informações das placas e chegou a um vendedor de 56 anos, cujo nome constava na documentação dos dois veículos.
No dia seguinte, ele se apresentou à delegacia com um advogado. Teria alegado que não viu nada, apenas sentiu um impacto, pensando ter batido em alguma pedra, e negou estar em alta velocidade.
A família contesta. “É impossível alguém ser arremessado a 120 metros se o carro estivesse a 80 km/h. Isso não fecha. Em outro caso parecido, uma pessoa a 105 km/h jogou duas vítimas a 50 metros. Aqui foi mais que o dobro.”
Rodrigo era um profissional respeitado. Atuou em grandes empresas como a Volkswagen do Brasil e, atualmente, trabalhava em uma companhia de Guarulhos. Não tinha histórico de imprudência nas estradas — pelo contrário. Estava apenas no lugar errado, na hora errada, com a má sorte de cruzar com quem não parou para ajudar.
O corpo foi encaminhado ao IML de São José dos Campos e sepultado em São Bernardo do Campo. Agora, a esperança da família está nas análises de câmeras da rodovia, nos laudos da perícia sobre a velocidade e nos exames que confrontam o sangue do Sportage com o DNA da vítima.
“A polícia tem sido atenciosa, nos atualiza sempre. Mas ainda estamos esperando respostas. Estamos focados em justiça. A vida dele não pode terminar assim, sem responsabilização. A família está destroçada”, conclui o familiar.
Enquanto a investigação corre, o que fica é o vazio da ausência e o grito por justiça. Rodrigo deixa saudade e amor. E a certeza de que sua história não será esquecida.


