Quadrilha é condenada por fraudes milionárias em empresas do Vale do Paraíba
A Justiça de Americana (SP) condenou integrantes de uma organização criminosa que operava um esquema sofisticado de fraudes empresariais em cidades como São José dos Campos, Americana e Sorocaba. A quadrilha foi desmantelada pela Operação Mimético, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em 2018.
As investigações revelaram um leque de crimes: estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, emissão de duplicatas frias e formação de organização criminosa. As penas aplicadas aos quatro principais envolvidos somam quase 80 anos de prisão, todas em regime fechado.
Segundo a sentença, o grupo causou prejuízos de pelo menos R$ 22 milhões ao adquirir empresas com bom histórico de mercado por valores simbólicos. Após assumirem o controle das firmas, os criminosos desviavam o patrimônio, criavam transações fictícias e emitiam títulos falsos para enganar credores e investidores.
A quadrilha usava imóveis de alto padrão em bairros nobres da capital paulista e carros de luxo para passar uma falsa imagem de sucesso e atrair novas vítimas. A investigação do Gaeco, que gerou um processo com mais de 14 mil páginas, revelou movimentações financeiras suspeitas, inclusive por meio de contas bancárias de laranjas e uso pessoal do dinheiro desviado.
Uma das rés, que teve parte das acusações arquivadas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), foi condenada a cinco anos de reclusão em regime semiaberto por lavagem de dinheiro. Outros operadores e intermediários do esquema também receberam penas de até sete anos, igualmente em regime semiaberto.
Apenas uma acusada, que atuava como secretária financeira e colaborou com as investigações, foi beneficiada com o perdão judicial.
A Justiça ainda determinou a perda de todos os bens adquiridos de forma ilícita, que deverão ser revertidos à União. Em nota, o Gaeco destacou: “A decisão reforça o compromisso do sistema de justiça no enfrentamento a organizações que se valem de estruturas empresariais para a prática de fraudes sofisticadas”.


